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Sentir as Escarpas da Serra de Passos/Santa Comba
Uma viagem de mil anos

Escarparte

Bem-vindo à serra de Passos!

SOBRE O PROJETO

O Escarparte é um projeto que tem como objetivo disponibilizar ao público a maior concentração de pintura esquemática da Pré-história recente em Portugal, uma herança cultural única com potencial de relevância turística no contexto regional e nacional.

PRINCIPAIS OBJETIVOS

O projeto EscarpArte tem como objetivo principal o desenvolvimento de uma solução tecnológica móvel inovadora para facilitar o acesso e a visita aos sítios de arte rupestre localizados no Regato das Bouças e na Escarpa do Buraco da Pala, na Serra de Passos, concelho de Mirandela. 

Realizar o primeiro estudo arqueológico dos abrigos com recurso à digitalização

Visualizar, por meio de realidade aumentada, como eram os abrigos e a pintura esquemática no contexto da geomorfologia, da geologia e da paisagem.

Sensabilizar para a importância fundamental deste património e da sua preservação

Demostrar que os recursos culturais e naturais são importantes fatores de desenvolvimento territorial do interior e incentivos para a criação de dinâmicas económicas

Trabalhar soluções de governança e de planeamento de ações de salvaguarda do património arqueológico em potenciais situações de risco

PRINCIPAIS datas na Cronologia

Paleolítico
Epipaleolítico e
Mesolítico
Pré-história Recente
Arte Rupestre
Serra de Passos

Explore a linha do tempo da Pré-História até à Época Contemporânea! Clique abaixo para saber mais sobre cada período.

Contacte-nos

+351 300 081 998

geral@morecolab.pt

Edifício Do Brigantia Ecopark,
Av. Cidade De Leon, 506
5300-358 Bragança

A Serra de Passos

A Serra de Passos destaca-se como um local de interesse arqueológico, com vários sítios a visitar. O consórcio do projeto EscarpArte convida os interessados a visitar os abrigos pintados do Regato das Bouças e o Buraco da Pala, dois dos sítios arqueológicos mais emblemáticos da Serra de Passos. Situada no nordeste de Portugal, a Serra de Passos é o berço de uma vasta coleção de sítios de arte rupestre pré-histórica, destacando-se o abrigo rochoso do Buraco da Pala e numerosos abrigos pintados ao longo do Regato das Bouças.  A investigação de Sanches (1996) sobre a área da Serra de Passos/Santa Comba concluiu que a ocupação humana na região data do final do sexto/início do quinto milénio a.C. até ao início do terceiro milénio a.C. No Buraco da Pala, os vestígios arqueológicos indicam que o local serviu como habitat e local de armazenamento de produtos agrícolas em vários momentos distintos. Os artefactos recuperados no sítio incluem vestígios de cultivo de cereais e domesticação de animais, com mudanças nas práticas de armazenamento observadas durante o período Calcolítico. 

Na área circundante do Buraco da Pala, encontra-se um conjunto de sítios de pintura esquemática da Pré-História recente, com mais de três dezenas de abrigos e cerca de oito dezenas de painéis pintados com cores como o vermelho-vinhoso, o vermelho-claro, o laranja e o amarelo. A cronologia mínima para a fase inicial da criação dos abrigos pintados da Serra corresponde ao início do IV milénio a.C. No entanto, é provável que as pinturas sejam mais antigas, nomeadamente aquelas que marcaram de forma gráfica a paisagem da Serra pela primeira vez e traçaram percursos entre os sítios inscritos na memória social. Esta hipótese é fundamentada em dados absolutos de C14 do meio do V milénio, obtidos para as ocupações do Buraco da Pala (Sanches, Pré-história recente de Trás-os-Montes e Alto Douro, 1997). 

Na escarpa da margem esquerda do Regato das Bouças, predominam os abrigos com painéis que apresentam figuras antropomórficas de configuração “oculada” sob a forma de figuras de corpo inteiro, algumas das quais apenas com as faces desenhadas, enquanto outras exibem antropomorfos oculados de grande complexidade. Maria de Jesus Sanches designou esta escarpa como “Escarpa das figuras oculadas”, uma sequência de painéis/abrigos com figuras oculadas (pelo menos duas dezenas de figuras). 

Os estudos arqueológicos concluem que a arte rupestre foi utilizada para definir os limites sociais. Conforme referido por Sanches (1996), a função destas expressões artísticas pode ter sido demarcar territórios, comemorar acontecimentos importantes ou servir de pontos focais em atividades rituais. Estas manifestações artísticas parecem revelar conhecimentos sobre sequências culturais, convenções estilísticas e enquadramentos temporais, realçando a importância destes locais para a compreensão da ocupação humana da Serra de Passos e dos comportamentos culturais durante o período da Pré-história Recente.