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Valores Naturais

A Serra de Passos, também designada Serra de Santa Comba, destaca-se na paisagem do concelho de Mirandela, distrito de Bragança, com uma elevação de 1016 metros que proporciona um microclima e condições ecológicas singulares. A Serra de Passos exibe uma diversidade de espécies vegetais endémicas, demonstrando um ecossistema de elevada especificidade. Fatores como a composição do solo, o clima mediterrânico com influência atlântica e a topografia acidentada contribuem para a criação de habitats restritos que sustentam uma flora especializada.

Valores Naturais (Fauna e flora)

Foram identificadas 117 espécies arbóreas, das quais 22 são ecologicamente relevantes. Destacam-se oito endemismos (quatro lusitanos e quatro ibéricos) e três espécies de alto valor para a conservação: Quercus suber, Quercus rotundifolia e Ruscus aculeatus.

Aldeia de Passos

A aldeia de Passos é sede da freguesia de Passos, no concelho de Mirandela, com 18,43 km² de área e 333 habitantes (censo de 2021). Situa-se no sopé da Serra de Passos, a 8 km da sede do concelho. É referida nos forais de Lamas de Orelhão, cujo concelho pertenceu até 31 de dezembro de 1853, data a partir da qual passou para o concelho de Mirandela. Os habitantes de Passos dedicam-se à agricultura e à pecuária. Produzem azeite, vinho, cereais, batata, fruta e possuem gado, nomeadamente vacas, ovelhas e cabras. A aldeia é constituída por longas ruas, como a do Dr. Arnaldo Gonçalves, que segue em direção à Serra de Passos. 

Valores Naturais

Do total das 117 espécies arbóreas inventariadas, 22 foram consideradas de maior relevância ecológica, das quais quatro são endemismos lusitanos (Murbeckiella sousae, Dianthus laricifolius subsp. marizii, Teucrium salviastrum e Festuca duriotagana) e quatro endemismos ibéricos (Narcissus asturiensis, Centaurea herminii, Santolina semindentata e Veronica micrantha). Três possuem elevado valor para a conservação: Quercus suber, Quercus rotundifolia e Ruscus aculeatus.

Relativamente à fauna, no que respeita às aves de rapina e outras planadoras diurnas, foram confirmadas 10 espécies. Destas, três são consideradas ameaçadas: o falcão-peregrino (Falco peregrinus), com estatuto de Vulnerável; a águia-caçadeira (Circus pygargus), com estatuto de Em Perigo; e o britango (Neophron percnopterus), com estatuto de Quase Ameaçada, embora com ocorrência ocasional na área.

No que se refere a aves de hábitos noturnos, foi detetada a presença de noitibó-cinzento (Caprimulgus europaeus), espécie que possui estatuto de Vulnerável. Relativamente aos quirópteros, foram inventariadas 25 espécies, nomeadamente o morcego-negro (Barbastella barbastellus), o morcego-arborícola-pequeno (Nyctalus leisleri), o morcego de Kuhl (Pipistrellus kuhlii), o morcego-anão (Pipistrellus pipistrellus) e o morcego-rabudo (Tadarida teniotis), não possuindo nenhum estatuto de conservação desfavorável.

Embora o último censo nacional de lobo ibérico tenha assinalado a existência de reprodução nesta zona como provável, não foi detetada a presença da espécie na área do projeto.